Em: | Destaque

VOCAÇÃO: o chamado a ser feliz, servindo os irmãos!

Postado em 18 agosto 2013 por Paróquia Santo Antônio - Marília

Padre Valmir escreve sobre VOCAÇÃO, já que estamos no mês de Agosto – Mês das Vocações.

Clique aqui para ler outros artigos escritos por nossos padres sobre os mais diversos temas.

 

VOCAÇÃO: o chamado a ser feliz, servindo os irmãos! 

         “O mês de agosto, conforme o costume da Igreja no Brasil, é dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades sobre o tema das vocações” (DL 2013). Mas o que é vocação? A palavra vocação vem do vocábulo latino vocare: chamar; vocatio

Pe. Vamir

chamamento; assim dizemos que alguém é vocacionado quando é chamado, pois toda vocação supõe um chamado. Por isso, o chamado sempre é iniciativa de Deus, que por amor vem ao nosso encontro. Pois ele nos amou e nos chamou por primeiro. E o Papa Francisco, na missa para bispos, padres e seminaristas (na JMJ no Rio de Janeiro), chamava atenção para este aspecto do chamado. Na verdade, dizia ele: “É importante reavivar em nós esta realidade que, frequentemente, damos por descontada em meio a tantas atividades do dia-a-dia: «Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi», diz-nos Jesus (Jo 15,16). Significa retornar à fonte do nosso chamado. No início de nosso caminho vocacional há a eleição divina. Fomos chamados por Deus, e chamados para permanecer com Jesus, unidos a Ele de modo tão profundo que nos permite dizer com São Paulo: «Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20)”. 

         Nem sempre, porém, é fácil, no início da experiência vocacional, ter a clareza devida sobre a autenticidade do chamado. Pois é natural que haja dúvidas sobre a genuinidade dessa voz que interpela o homem arriscar a sua vida na aventura de um caminho desconhecido. O novo causa medo! Mas isto é muito positivo. Pois faz com que a pessoa busque, em atitude de silêncio, espírito de reflexão, oração e humildade, meios para ajudarem a discernir esta voz interior. Pode ser uma pessoa que tenha tido uma experiência longa quanto a sua resposta ao chamado de Deus. Um orientador vocacional. Alguém que ajude a conectar o nosso ser ao sentido mais profundo e verdadeiro em que esta voz interior quer nos lançar. E isto remete-nos a Samuel, no início da sua vocação profética, quando escutou uma voz que lhe chamava, ficou confuso, com dúvidas, não compreendeu. Não imaginava, pela sua pouquíssima experiência, que aquela voz lhe chamando poderia ser o Senhor Javé. Contudo, Eli, sacerdote já de idade avançada, homem experimentado no caminho do Senhor, ajudou Samuel a discernir esta voz. Na verdade, ele disse a Samuel: “Se alguém chamar você de novo, diga: ‘fala, Javé, que teu servo escuta’”. Desse modo, com a confirmação de Eli, de que realmente era o Senhor que estava chamando, Samuel conseguiu superar a angústia da dúvida, colocando-se inteiramente a serviço do Senhor (1Sm 3, 1-21).  

         Por outro lado, um aspecto que deve acompanhar continuamente o vocacionado é a atitude de encantamento, contemplação, ou seja, a sabedoria de quem percebe que o chamado de Deus é sempre mistério. Com efeito, quem poderá explicar com clarividência os critérios de Deus para chamar esta ou aquela pessoa? O Evangelho nos narra que, na escolha dos doze, Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis (Mc 3,13). Poderia ter chamado homens do Templo, peritos em Sagrada Escritura, mestres da Lei (como Nicodemos). Porém, Ele chamou homens simples, sem qualquer cultura intelectual, pescadores, cobrador de impostos, etc., enfim, homens imperfeitos e pecadores, que jamais seriam aceitos pelos critérios da religião do seu tempo. Simão Pedro, no seu encontro vocacional com Jesus, é um exemplo claro desta verdade. Tal é assim, que ele mesmo, depois da pesca milagrosa, diz-lhe: “Senhor, afasta-te de mim, pois sou um pecador!” Mas o que vale aqui é o olhar diferenciado de Jesus, que perscruta com ternura divina o coração do homem, e vê o que não vemos. Penetrou com amor indizível o coração de Pedro, seduzindo-o a arriscar a vida por outro caminho totalmente diferente: “Não temas, de agora em diante tu serás pescador de homens” (Lc 5, 1-11). Com isso, Pedro, sentindo-se amado, como jamais fora em sua vida, não teve como responder ao Senhor senão na atitude de deixar imediatamente o seu barco na praia e partir com Jesus, dizendo, mais tarde: “A quem irei, Senhor? Tu  tens palavra de vida eterna” (Jo 6, 68).

         Claro que esta atitude vocacional de relutar contra o Senhor, não vemos só em Pedro. A literatura bíblica mostra-nos tantas outras personagens que diante da experiência do encontro com o Senhor chamando-os, querem fugir, dão desculpas, “brigam com o Deus”. Entre elas, conhecemos Moisés, Jeremias e Isaías. Talvez porque neste encontro com o Senhor, o nosso ser se ilumina, e, por um instante de graça, conseguimos adentrar no mistério do nosso eu, contemplando o nosso nada, percebemos assim qual diferença, qual distância nos separa Dele. Aqui a santidade de Deus nos irradia e ilumina, fazendo-nos ver com humildade a nossa verdadeira realidade. Assim, é natural que se sinta medo não só pela grandeza da missão que implica o chamado, mas também por sentir-se pequeno, frágil, indigno do Senhor: “afasta-te de mim porque sou pecador”. Também Isaías parece ter vivido este conflito interior, no início da sua vocação profética. Por isso, quando contempla a santidade do Senhor sentado num trono alto e elevado, ele exclama: “Ai de mim, estou perdido! Sou homem de lábios impuros e meus olhos viram o Rei, Javé dos exércitos” (Is 6, 1-5).

         No entanto, se isto, no início, parece ser positivo, por nos levar a ter conhecimento mais profundo da nossa verdadeira realidade, não é fixando os olhos em nos mesmos que encontraremos a força para superar esta indignidade e medo. Mas fixando os olhos no Senhor, que, com o seu toque de amor, nos perdoa e cura, levantado-nos do chão do nosso nada, a fim de capacitar-nos a responder o chamado com alegria e desenvoltura: “Coragem, levanta-te! Ele te chama” (Mc 10, 49). Pois foi assim com Isaías, quer dizer, deixando que o Senhor libertasse-lhe da culpa, passou a olhar para si mesmo com esperança, a interpretar a sua vida a partir do olhar misericordioso do seu Deus. Então, sentiu-se corajoso para responder com firmeza, disponibilidade e alegria ao chamado de Javé: “Com a brasa tocou-me os lábios e disse: ‘veja, isto aqui tocou seus lábios: sua culpa foi removida, seu pecado foi perdoado’ (Is 6, 7)”. E, a partir daí, o jovem Isaías não teve mais dúvidas de que o Senhor lhe chamava e que ele poderia responder positivamente a este chamado: “Ouvir, então, a voz do Senhor que dizia: Quem é que vou enviar? Quem irá de nossa parte?” Eu respondi: “Aqui estou. Envie-me!” (Is 6, 8). Por isso, a vocação é uma luz, que nasce do encontro com o Rosto luminoso de Deus, “uma luz que, ao iluminar-nos, nos chama e quer refletir-se no nosso rosto para resplandecer a partir do nosso íntimo” (Lumen Fidei, 33).

         Assim, pode-se dizer que a vocação nasce da fonte do grande mistério do amor de Deus. Ele chama-nos porque nos ama e quer partilhar a sua vida feliz conosco.   Deus é tão feliz e pleno de amor que só sabe ser comunicando-se, partilhando-se. Por isso, Ele chama, dando o dom da vocação. Ele chama a seguir-lhe os passos como fez com aquele jovem rico, que “era perfeito”, mas não era feliz. Pois a pergunta daquele jovem a Jesus, “o que devo fazer para alcançar a vida eterna?” é, na verdade, a aspiração mais profunda que está no coração de todo ser humano: o que devo fazer para ser feliz? E a esta pergunta Jesus responde, como propôs para aquele Jovem: vem e segue-me (Mc 10, 17-22). De fato, a proposta de Jesus toca numa questão essencial para uma vida plena, isto é, seguir Jesus é tornar-se seu discípulo, ficar com ele, aprender e assimilar o seu jeito de ser: colocar-se a serviço dos irmãos. Pois só é feliz quem comunica a vida, quem sai de si mesmo, quem supera o egoísmo, fazendo-se servidor do próximo: “Eu que sou Mestre e senhor, lavei-vos os pés, lavai os pés uns dos outros; serão felizes se o puserem em prática” (Jo 13, 14-17). Por isso, a vocação, numa perspectiva cristã, é uma realização pessoal que se conquista numa atitude de renúncia a si mesmo, dando precedência sempre à construção do Reino. Mas não se deve pensar jamais que isso seja um prejuízo para o discípulo. Pelo contrário, é a possibilidade de uma vida realizada e feliz; é um encontrar-se a si mesmo: “E quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 16, 25). 

         Enfim, termino esta pequena reflexão sobre a vocação olhando para Maria, a mãe de Jesus. Ela, certamente, é modelo perfeito para todo vocacionado. Quando escutou a voz do Senhor, transmitida pelo Anjo, não duvidou. Mas pôs-se inteira à disposição do Senhor: “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim conforme a tua palavra” (Lc 1, 38). De fato, a “Mãe do Senhor, tendo ouvido a palavra do Senhor com o coração bom e virtuoso, e conservando nele tudo aquilo que ouvia e via, produziu frutos com abundância na sua vida” (Lumen Fidei, 58). Que Maria, “ícone perfeito da fé” e discípula corajosa do Senhor, interceda pelos jovens, a fim de que não tenham medo de responder com generosidade o chamado de Jesus Cristo aos diversos serviços na Igreja, entre eles: a Vocação matrimonial, sacerdotal ou à vida religiosa. E que Ela, também, ajude àqueles que já disseram o seu Sim, a permanecerem firmes no caminho e fiéis até o fim. Pois, como disse o Papa Francisco “é de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado”.

Pe. Valmir Vieira Cardoso, Css.

Clique aqui para ler outros artigos escritos por nossos padres sobre os mais diversos temas.

Deixe um comentário


× 8 = quarenta oito

Paróquia Sto. Antônio de Marília – Rua Prudente de Moraes, 528 – CEP 17504-380, Secretaria: (14) 3454-6002 / (14)3413-5985

Warning: Unknown: open(/var/lib/php-cgi/session/sess_6iiki907h97ctkgmj2fffr9g10, O_RDWR) failed: No such file or directory (2) in Unknown on line 0

Warning: Unknown: Failed to write session data (files). Please verify that the current setting of session.save_path is correct (/var/lib/php-cgi/session) in Unknown on line 0